terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Conciliador




O tema “comunhão” será sempre uma das principais pautas quando o assunto for vivência em comunidade. A recorrência é naturalmente justificada pela necessidade de relacionamentos saudáveis, combustível vital para a existência de uma caminhada em grupo, mas que evapora facilmente quando se colide com interesses individuais.
Não é só o meio eclesiástico que se privilegia dessa discussão, ela está em voga onde quer que haja um verdadeiro interesse pelo entendimento entre pessoas.
Algo na TV tem despertado minha atenção, trata-se do quadro “O Conciliador” do programa Fantástico; nele, Max Gehringer - famoso especialista em gestão empresarial - deixa os embates do mundo coorporativo para tentar apaziguar conflitos entre pessoas comuns orientadas pelos conciliadores indicados pela justiça. Os assuntos variam bastante  “Inquilino deixa cachorro e dívida para proprietário”, “Irmãs param de se falar por causa de meio metro de terreno” – osque para alguns podem ser simples ganham proporções de imensa complexidade, outros, aparentemente mais difíceis, são resolvidos de maneira extremamente prática.
As matérias mostram o limite onde o sentimento de injustiça pode nos levar. Pessoas desinibidamente choram, trocam ofensas, expõem-se ao ridículo e arrancam suas máscaras diante das câmeras para obter o que consideram seu direito. Para algumas questões não há conciliação e o caso é conduzido para a atravancada fila dos tribunais de justiça.
A Bíblia narra um episódio bem mais complexo em 1º Reis 3:17-28. Naquela ocorrência não houve conciliação. Houve justiça. Justiça de Deus conduzida pela sabedoria de um rei que, através de sua sentença, conseguiu provocar em uma mulher a renúncia ao direito de ser mãe pelo amor à vida, usando isso como critério absoluto para o desempate entre a verdade e a mentira.
Nossos dramas diários normalmente são menos tensos, porém, pequenos erros podem ser potencialmente destrutivos, levando relacionamentos gerados por Deus à ruína. Nunca roubei o filho de ninguém, mas, me confesso como alguém capaz de guerrear pelo que considero meu direito, ou, o que é muito pior, de abrigar rancor e amargura em meu coração quando me sinto injustiçado. Podemos ceder facilmente às tentações do individualismo a ponto de afligir pessoas que não atendam prontamente aos nossos caprichos. É o egoísmo, o insaciável companheiro do Éden que insiste em nos cercar com propostas de sucesso, lugares de destaque, status poder e senhorio – essas coisas horríveis freqüentemente são camufladas de piedade e comiseração – vide Éden. Tenho dito para algumas pessoas – Quando você ouvir a expressão: “você merece”, desconfie, é bem provável que seja a voz de satanás. Ele disse isso a Eva e a tantos outros, inclusive a Jesus. Esse é o velho, único e melhor truque que ele tem para nos desviar dos propósitos de Deus.
Salomão não está mais aqui. Também não queremos aparecer no fantástico. Então qual é o caminho mais fácil para a conciliação? Como desfrutar do bem comum e cultivar relacionamentos sólidos e tolerantes? Como suportar as demandas naturais sobrenaturalmente e passar por elas sem sucumbir? Tal conquista só pode ser obtida no ambiente da verdadeira comunhão dos filhos de Deus que embasam suas decisões nos exemplos deixados por Jesus.
Sabemos que a sabedoria de Salomão veio dEle. Por isso, ser cidadão do Reino de Deus é viver assim. O Rei é somente Ele, os direitos são exclusivamente dEle, quem merece toda honra é unicamente Ele. O senhorio pertence totalmente a Ele. E nós O servimos e O honramos quando servimos e honramos uns aos outros. A harmonia em nossa convivência expressa ao mundo o amor de Deus e O glorifica. Esse é o ambiente inaugurado por Jesus, onde comida e bebida (bens, lucros, vantagens) dão lugar a justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Daniel Leite.

 

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