“(...) se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a este monte: ‘Passa daqui para acolá’, e ele passará. E nada voz será impossível”! (Mateus 17:21 KJA)“É dia. No meio da mata, Ruller corre atrás de um peru selvagem ferido (Ruller é meio esquisito segundo seus pais) e caramba, ela vai pegá-lo mesmo que tenha que correr para fora do estado. Ruller se imaginava triunfante pela porta da frente de casa, com a ave no ombro, e toda família admirada.
Mas pegar aquela ave ferida é muito mais difícil do que ele pensava. Então lhe ocorreu a idéia: “Acho que Deus vai me fazer correr à toa atrás desse maldito peru a tarde inteira”. Ele sabia que não devia pensar isso de Deus – mas é assim que ele está se sentindo.
Mas, de repente, a caçada chega ao fim. O peru cai morto por causa do tiro que havia levado. Ruller coloca a ave sobre o ombro e começa sua marcha triunfal para casa. Então se lembra do que pensou sobre Deus antes de capturar a ave. Eram pensamentos bem ruins, ele confessa. E então exclama: “Obrigado, Deus! O Senhor foi extremamente generoso.
Ele pensa que aquele peru é um sinal. Pode ser que Deus queira que ele se torne um pregador, ele queria fazer algo pra Deus. Se naquele dia encontrasse um pobre na rua, iria dar-lhe sua única moeda de dez centavos, por causa de Deus, e assim o fez, só porque uma mendiga velhinha anda em sua direção. Seu coração está orgulhoso, as pessoas da cidade o admiram, mas logo seu coração desacelera e ele sente algo inusitado – como se estivesse feliz e sem graça ao mesmo tempo. Ruller está andando sobre as nuvens – ele e a ave que Deus lhe enviou.
Nesse momento ele percebe a presença das crianças que o seguiam. Todo generoso, vira-se e pergunta se eles querem ver o peru, ao mostrar a marca do tiro, uma das crianças num gesto inesperado, toma a ave e coloca em seu próprio ombro, gira o corpo, atingindo o rosto de Ruller e saem andando lavando o peru que Deus havia lhe dado.
Antes que Ruller conseguisse se mexer, os garotos já estavam a um quarteirão de distância. Desaparecem na escuridão, e Ruller começa a se arrastar pra casa, mas logo dispara numa corrida. Ele corria cada vez mais e, ao chegar à estrada que dava para sua casa, estava com o coração tão acelerado quanto as pernas e com certeza que havia Algo Terrível atrás de si, com os braços rígidos e as mãos prontos para agarrá-lo.”1
Quem nasce de novo aprende desde cedo a necessidade do exercício da fé, aprende-se textos maravilhosos sobre a fidelidade de Deus, tenta-se experimentar nesta palavra de duas letras algo que através de Cristo poderíamos mover montanhas. E quando nem um monte de terra sai do lugar?
Lembro-me de uma canção que dizia que se ondas desta vida tentassem destruir nossa fé fazendo-nos duvidar que Ele nos ajudaria, bastava apenas olhar para o sofrimento da cruz, porque Ele tanto nos amou que doou sua vida por nós, e pude relembrar esta canção quase que diariamente nestes últimos meses que estive desempregado.
Confesso que estive realmente assustado por esta situação, principalmente porque acreditava que encontraria minha fé pelo menos junto ao grão de mostarda, mas eu estava totalmente errado, porque minha fé é bem menor do que eu imaginava.
Dentro deste curto tempo tentei manter a calma, mas várias vezes fui tomado por um desespero sem igual, porém sempre tive amigos que me indicavam por onde andar, o que sempre ouvia era: “Mergulhe no Divino”! “Aproveite enquanto ainda você tem tempo”! E era verdade. Tentei dentro das minhas forças exercitá-la, mas não foi fácil.
Mas foi bom, pude entender dentro da minha realidade a mãe que perderia os filhos para escravidão, mas foi salva por algumas vasilhas de azeite. Este azeite trouxe à ela graça, ela encontrou salvação pelo Espírito de Deus através de seu profeta; fé foi o que ela precisou e exercitou no momento de tristeza.
Espero continuar nesta caminhada para que eu possa encontrar minha fé num pote de grão de mostarda, e entender que Ele é Deus mesmo quando não sai como eu esperava; Sei que Ele sempre me mostrará um caminho a seguir, mesmo que não haja um, mas quero que isso esteja em meu coração.
Por Hernane Beltrão membro da www.vineyardleste.blogspot.com
*1 The Collected Works of Flannery O’Connor. Extraído e adaptado do Livro Falso Metidos e Impostore, Brennan Manning.
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